Mais de duas mil pessoas participam do torneio de abertura do Copão da Floresta

Publicado em 29/05/2017 - 13:16

O campeonato reúne competidores do Complexo de Florestas Públicas Estaduais e entorno (Foto: Maria Meirelles/Secom)

Nem mesmo a chuva inibiu os participantes da terceira edição do Copão da Floresta – evento que reúne em um campeonato de futebol moradores das florestas públicas estaduais do Rio Liberdade, Gregório e Mogno, e entorno. Mais de duas mil pessoas estiveram presentes no torneio de abertura, promovido no sábado, 27, na Comunidade São João, em Tarauacá.

Toda uma logística foi preparada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), com apoio da Secretaria de Estado de Esportes, para recepcionar os mais de 300 competidores. Cerca de 30 times, masculinos e femininos, disputaram o torneio, que ocorreu entre pancadas de chuvas e sol, durante todo o dia.

Iniciado em 2014, o Copão da Floresta promove inclusão social, esporte e lazer entre as comunidades extrativistas, ribeirinhas, indígenas e agrícolas da região. Nesta edição, o governo do Estado investiu R$ 250 mil, por meio do Programa REM (Redd Early Movers pioneiros na conservação), financiado pelo Banco Alemão KfW.

“Essa é uma atividade de lazer e esporte, que proporciona uma confraternização entre as comunidades em prol de uma floresta viva e em pé, que é conservada para as futuras gerações. Foi satisfatório ver o carinho dos comunitários para com o governador Tião Viana, devido sua atenção com os povos da floresta, apoiando a transformação de cidadãos mais sustentáveis e com melhor qualidade de vida”, salientou o secretário da Sema, Edegard de Deus.

O evento movimenta e aquece o mercado local (Foto: Maria Meirelles/Secom)

Segundo a presidente da Associação da Reserva Extrativista do Rio Liberdade, Maria Renilda Santana da Costa, mais conhecida como Branca, o Copão reforça a ideia de preservação ambiental. “Esse torneio incentiva ainda mais a preservação, pois os moradores são contemplados com políticas públicas, que nos proporcionam condições de vivermos em harmonia e com qualidade dentro da floresta”, afirmou.

Não eliminatório, o primeiro jogo apresentou à torcida as habilidades, preparação e carisma de cada time. O campeonato, que envolve 16 comunidades e 400 famílias, este ano está recheado de novidades: as corridas de pedestres, masculina e a feminina, que serão realizadas no próximo fim de semana.

Inclusão e prevenção

Cleomilton Rocha de Oliveira, presidente da Associação Agroextrativista São Francisco de Assis, destaca a importância do evento para a juventudade. “Hoje, graças ao projeto do Copão da Floresta, todos os jovens das florestas públicas possuem uma opção de lazer, com incentivo à prática de esporte. Estamos livrando eles do mundo das drogas, bebedeiras e prostituição. E tudo isso, influencia na qualidade de vida de toda a comunidade”, enfatizou.

O discurso de Xuxa, como Cleomilton é conhecido, é unânime. Cerca de 70% dos participantes do torneio são jovens. Para concorrer, os interessados iniciam uma preparação de treinos três meses antes. Além disso, de acordo com o estatuto do torneio, é proibido o consumo de bebidas alcoólicas antes e durante o campeonato.

As mulheres fizeram bonito no campo (Foto: Maria Meirelles/Secom)

Empoderamento feminino

E para quem acha que futebol é esporte para homens, a jogadora do time “Poder Feminino”, da comunidade Taquari, Yana Batista, 20 anos, declara: “isso não passa de machismo, muitas mulheres jogam melhor que os homens. Se para eles mulher tem que ficar em casa, a gente veio para mostrar que não é nada disso”, ressaltou.

Branca, presidente da Associação da Reserva Extrativista do Rio Liberdade, reforça “Isso não tem nada a ver, pois nós somos poderosas. Hoje não tem mais isso, as mulheres são iguais aos homens. As mulheres estão se empoderando e ocupando seus espaços e direitos na sociedade”, endossou a liderança comunitária do Rio Liberdade.

Fomento econômico

O campeonato tem impacto direto na economia local, uma vez que toda a mão de obra contratada para atuar na área de infraestrutura é composta por moradores da região, bem como dos serviços de transporte.

Os pequenos empreendedores do ramo da alimentação também aproveitam os jogos para faturar uma renda extra, como é o caso de Wagno Nunes da Costa, 34 anos. “Sou produtor rural, mas sempre que têm esses eventos, a gente aproveita para ganhar um extra. O movimento aqui está muito bom. Quero vender tudo”, frisou.

A dona de casa Maria Antônia Silva, de 40 anos, preparou o famoso quibe de arroz e disse que a empreitada deu certo. “Essa é a primeira vez que eu comercializo comida no Copão e estou bem satisfeita. Vendi tudo. Vou me programar para todos os jogos”, destacou a empreendedora.

Por Maria Meirelles

Fonte agencia.ac.gov.br

 

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